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Suburbana

Postado por Ana, Isa e Mila


   Hoje, eu lembrei de um trabalho de sociologia que fiz para o colégio: um curta documentário sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador, também conhecido como Suburbana. E aproveitando que amanhã a cidade faz 494 anos, decidi compartilhar um pouco dessa experiência no blog.



    Não acho necessário entrar em detalhes sobre o trabalho, nem sobre o processo de criação do filme (muito estressante, principalmente levando em conta que deixamos tudo para última hora) mas apenas deixo claro que, como a maioria dos trabalhos de colégio, valia ponto. E não só valia ponto como também concorreria com outros filmes de outros estudantes de outras turmas. E o vencedor ganharia um prêmio (e o protótipo do Oscar Escolar foi lançado).
   O Subúrbio Ferroviário de Salvador é um espaço que abre margem a diversas discussões. Uma delas é a questão dos meios de transporte na cidade. Uma delas é o trem. E foi em torno dele o foco do nosso trabalho. Os historiadores consideram o trem a maior invenção depois da roda. A primeira locomotiva construída no mundo foi criada na Inglaterra, no ano de 1804 mas só chegou aqui, na Bahia, em 28 de junho de 1860. Hoje em dia, os trens de Salvador fazem um único trecho: de Calçada a Paripe, atual subúrbio. 
  Suponho que foram poucas as reformas desde 1860 até hoje. O trem conta com vários problemas estruturais, inclusive com o funcionamento de um trecho suspenso devido a uma erosão.




   Pois bem, em apenas uma incursão (assim definido pelo colégio, e com razão, visto que os alunos carregavam na farda um símbolo de diferença social e com o olhar aviltante, prosseguiam) arranjei todo o material para a elaboração do curta. Foi complicado: eu, no auge da minha vontade de virar cineasta queria fazer tudo mas não se pode fazer tudo quando o trabalho é em grupo etc etc... acabou que nosso vídeo foi um dos finalistas. Fiquei super feliz. Pena que só até o dia da premiação, visto que uma das juradas me faz vomitar sangue. A inconsistência nos argumentos da jornalista (a respectiva era jornalista) na hora de julgar os trabalhos era absurda. Disse que o pagode, o axé e o rap não representavam o lugar de onde ela vinha -Paripe- que precisávamo"[...] acabar com essa coisa de que Salvador é só isso. Vocês estão denegrindo a imagem da cidade. Claro que lá toca pagode, arrocha...mas não toca só isso. Aliás, lá toca muito rock, mpb. Muito mais válido colocar um rock internacional. Como alunos de classe média, vocês deveriam parar com esse estereótipo e preconceito"  palavras dela. Então, com apenas um vídeo (da abertura do curta) 
permito que cada um tire suas próprias conclusões. (:


   *Vale ressaltar que o transporte não é a única estrutura abandonada pelo governo. A parcela mais pobre de Salvador sofre com o descaso do Estado. Como as favelas e o subúrbio ferroviário, os bairros não projetados desencadeia um aumento exacerbado de lixo e devido à ausência de politicas e participação do governo, esta situação tende somente a piorar. Salvador é uma das cidades mais desiguais do mundo, e também uma das mais bonitas.


















Maluco Beleza

Postado por Ana, Isa e Mila

   Eu até que me esforcei pra escrever um texto normal. Mas quando se trata de Raul Seixas, se tá maluco, tá beleza.



   Raul até que tentou mas nunca conseguiu controlar sua "maluquez misturada com sua lucidez". Nasceu "há dez mil anos atrás" (ou 28 de junho de 1945) em Salvador, Bahia. Entretanto dizia “Meu nome é Raul Santos Seixas, eu sou baiano de Canguenheim, oito horas de mula e doze de trem" na vinheta do LP "Krig-ha, Bandolo!". Seu pai era engenheiro de estrada de ferro e Raulzito curtia muito viajar "pelo interior de trem, os 'trens das setes' da vida."

   No fim dos anos 60, já tinha diversas músicas conhecidas como Ainda queima a esperança, Doce, doce amor, Obrigado pela atenção...mas as pessoas focavam apenas nos interpretes, o que fez com ele estourasse apenas em 1972, quando Let me sing, let me sing puxou seus outros sucessos.





   Lutava contra o "Monstro Sist” (como se referia ao sistema) por olhar no espelho e se sentir um grandessíssimo idiota que só usa dez por cento de sua cabeça animal. Além disso, era egoísta. Cheio de "eu" Eu sou eu, Nicuri é o Diabo, Eu acho graça, Eu nasci há dez mil anos atrás, Eu também vou reclamar... mas rebatia "O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar". E ao mesmo tampo, retratava Deus e o Diabo com a mesma irreverência. "Acho que o Diabo e Deus, hoje dia, estão no céu tomando cálices de vinho e curtindo com a cara do Bem e do Mal da gente, morrendo de rir da babaquice da gente". Coisa que só um "coringa de todo baralho" pode afirmar. Ou se contradizer. Afinal, quando se trata de uma Metamorfose Ambulante questionamento nunca é demais..."Sou tão bom ator que me finjo de cantor e compositor e todo mundo acredita." E quem é que gosta de ter "aquela velha opinião formada sobre tudo?"





     Durante os anos 60 e 70, Raul conseguia driblar a censura. Mas tinha em vista um projeto da Sociedade Alternativa e resolveu criar uma cidade (em um de seus terrenos) a exemplo da Utopia de Thomas More. Ele fez essa cidade em Minas Gerais, "Cidade da Luz" que foi vista como comunista durante o governo de Geisel, fazendo com que ele fosse preso e torturado."Mamãe eu não queria..."



   Raul que pensou em se candidatar a deputado federal, confessou que ficou com medo de levar um tiro que nem o Tancredo Neves "Mamãe não quero ser prefeito/Pode ser que eu seja eleito/E alguém pode querer me assassinar" possui como sucesso até uma canção infantil anarquista Carimbador Maluco, manifesto do pensador Anton Proudhon.

   Depois de ser levado com o moço do disco voador, voltou como uma mosca "que pintou pra lhe abusar". Voltou com uma vassoura e uma lupa (fato verídico) e disse que com a lupa iria procurar o que restou da música baiana e com a vassoura, varrer o lixo que era esse cenário "atual". Ah, Raulzito... pode voltar míope e com um caminhão de lixo! Enquanto que vou ali reclamar pra fazer sucesso...


*em breve postarei mais sobre o Raulzito aqui

Cheiro, Mila.




Do mangue ao beat

Postado por Ana, Isa e Mila

Viajei um tanto pra mostrar um pouco sobre o Mangue Beat




Mangue: "formação vegetal que ocorre nos litorais lodosos das regiões tropicais; manguezal" muito existente em regiões como
Recife: "rochedo ou série de rochedos à flor da água, nas proximidades das costas." Recife também é uma cidade do nordeste que possui muito mangue e é capital do estado de 
Pernambuco: é um estado brasileiro da região nordeste. Estado onde nasceu Alceu Valença.
Alceu Valença: cantor pernambucano que participou do movimentos de contra-cultura como o 
Udigrudi: movimento rico em arte, 'embalado na psicodelia "pós-woodstockiana"'. Woodstock é um estado americano muito conhecido por um festival de música que rolou na cidade e atraiu muitos
Hippies: pessoas de um movimento de contra-cultura que questionavam determinados costumes. O termo hippie deriva da palavra "hipster" muito utilizada por escritores como
Jack Kerouac: escritor americano de livros e um dos "fundadores" do movimento Beat.



Mangue Beat


  O Manguebeat é um movimento de contra-cultura surgido em Recife, Pernambuco, que mistura vários estilos musicais e critica principalmente as desigualdades. "Originalmente chamado de Mangue Bit (bit entendido como unidade de memória dos computadores),  teve seu primeiro manifesto,Caranguejos com Cérebro, escrito pelo ex-punk Fred 04 (do Mundo Livre) e Renato L, publicado pela imprensa local em 1992. "Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama"
  O movimento foi criado na década de 90 e até hoje enriquece a cultura pernambucana, sendo esta, considerada uma das mais ricas do nordeste. Influência uma leva de cantores e compositores, não só de Recife, como também do mundo inteiro. 


Algumas bandas/cantores relacionadas ao manguebeat:


Mamelungos de Recife

China

Lirinha
Eddie